AIT 150 anos depois

Mostra CineTrabalho no Encontro Internacional
Associação Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, 150 Anos Depois

 

Nos dias 29 e 30 de outubro de 2014, a Mostra CineTrabalho participará do “Encontro Internacional Associação Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, 150 Anos Depois”, um grande evento que será realizado simultaneamente em oito cidades brasileiras, e que contará com a presença de acadêmicos, estudantes, trabalhadores e membros de sindicatos e movimentos sociais do Brasil e de diversos países.

Compondo a programação cultural do evento, que ainda terá a Exposição “João Zinclair (1956-2013), o fotógrafo operário”, a Mostra CineTrabalho organizará cinco sessões para apresentar ao público algumas obras do seu acervo, celebrando as memórias, histórias e lutas de trabalhadoras e trabalhadores nos 150 anos da AIT.

O evento ainda contará com a participação da cineasta Vicky Funari (Estados Unidos), diretora dos documentários Maquilapolis e Live Nude Girls Unite!, que serão exibidos em sessões especiais. A cineasta também participará de uma mesa do Encontro Internacional, debatendo a produção de documentários sobre as condições de trabalho hoje.

Toda a programação cultural será realizada no Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, São Paulo.

Participe!

 

 

Sobre o Encontro
1a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho
2a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho
3a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho
4a. Sessão – Documentários sobre as condições de trabalho hoje
Sessão Especial – Vicky Funari
Programação Geral do Evento


Sobre o Encontro


 

Em 28 de setembro de 1864, em uma reunião em Londres, a primeira organização internacional do movimento dos trabalhadores foi fundada e assim denominada: Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT). Embora a sua vida tenha sido bastante breve (1864-1877), a AIT tornou-se o símbolo da luta dos trabalhadores e trabalhadoras e influenciou as ideias de milhões de pessoas em todo o planeta.
Grandes mudanças políticas e econômicas se sucederam ao longo dos últimos 25 anos: o colapso do bloco soviético; o afloramento e relevância das questões ecológicas; as transformações sociais geradas pela mundialização; uma monumental reestruturação produtiva em escala global; a eclosão sequencial de guerras e, mais recentemente, uma crise financeira e econômica mundial que, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, adicionou outros 27 milhões de desempregados desde 2008, totalizando mais de 200 milhões de pessoas. No mundo real estes números são ainda muito maiores, pois há o desemprego oculto, disfarçado etc, que escondem alarmantes índices de desemprego em escala mundial em uma época de crise estrutural.
Os movimentos de protesto e as rebeliões que ocorreram recentemente em várias partes do mundo distinguiram-se pelo caráter amplo de suas demandas por igualdade social, obrigando-nos a realizar uma reflexão radical acerca dos novos problemas e transformações que vêm ocorrendo também no mundo do trabalho. De protagonista central ao longo do século XX, o trabalho parece encontrar profundas dificuldades, presente, por exemplo, nas limitações que os sindicatos vêm encontrando para representar e organizar a crescente massa de assalariados, como os imigrantes, @s trabalhador@s precarizad@s, @s trabalhador@s mais jovens que não conseguem se inserir no mercado de trabalho cada vez mais flexível, onde os empregos são inseguros e os direitos são destruídos em amplitude global. Um dos grandes desafios atuais é refletir sobre as relações sociais, políticas e de representação entre os setores tradicionais da classe trabalhadora, herdeiros do fordismo e o jovem precariado que se desenvolve em escala global, na era da acumulação flexível, que se amplia significativamente em várias partes do mundo.
Estes dois polos fundamentais da classe trabalhadora hoje têm seu futuro irremediavelmente articulado e relacionado: em suas lutas, o primeiro polo, aparentemente “desorganizado”, quer o fim da intensa precarização que lhe atinge e sonha com um mundo melhor. O segundo, mais “organizado”, quer evitar a sua maior degradação e recusa sua conversão em novos precarizados do mundo.
Se esses polos vitais da classe trabalhadora não se conectarem solidária e organicamente, a sua
derrota poderá ser ainda maior. Se conjugarem suas ações de classe, poderão ser efetivamente capazes de combater o sistema de metabolismo societal do capital e sua lógica destrutiva e, assim, começar a desenhar um novo modo de vida.
O objetivo central desse Encontro Internacional é permitir, então, uma discussão ampla e profunda, visando estimular o conhecimento e importância da AIT e de seu duradouro legado, no momento em que comemoramos o 150o aniversário de sua fundação.
Para tanto, estamos organizando uma série de conferências que articulam o olhar ao passado
recente, do primeiro movimento internacional de luta da classe trabalhadora com a avaliação e importância das lutas sociais dos trabalhadores em todo o mundo hoje. As transformações globais das últimas décadas, seguidas de sistemáticos ataques internacionalmente coordenados pelo capital não só sobre os direitos e a seguridade social d@s trabalhador@s em todas as partes do mundo, mas também sobre os organismos sociais, econômicos e políticos (que foram criados para realizar grandes conquistas históricas e efetivar os primeiros esforços de união no plano internacional), tornaram-se tema ainda mais crucial em nossos dias.

Ricardo Antunes e Marcello MustoCoordenação Geral do Encontro

 

Confira aqui a Programação completa do Encontro em todo o país.

UNICAMP (Campinas) – 29 e 30 de outubro
USP/UNIFESP (São Paulo) – 30 e 31 de outubro
UFBA (Salvador) – 31 de outubro
UFRJ/UFF (Rio de Janeiro) – 03 de novembro
UFRGS (Porto Alegre) – 24 e 30 de outubro
UFRN (Natal) – 27 de outubro
UFRB (Recôncavo da Bahia) – 30 de outubro
UFMG (Belo Horizonte) – 03 de novembro

 


Programa da Mostra CineTrabalho


1a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho


Serão apresentados fragmentos de obras do acervo da Mostra CineTrabalho, levando ao público retratos, cenas, histórias e lutas de trabalhadoras e trabalhadores.

Quarta-feira, 29 de Outubro | 09h15   Duração: 5 minutos

O CASO COCA-COLA
Germán Gutiérrez e Carmen Garcia (Canadá, 2009)

EL GALPÓN. EL PODER DESDE NOSOTROS
Andrea Blanco e María Eugenia Cabrera (Argentina, 2008)

CASO SHELL: O LUCRO ACIMA DA VIDA
Denise Simeão (Brasil, 2009)

CAMINHAR É PRECISO
Lucas Vega (Brasil, 1997)

 


2a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho


Serão apresentados fragmentos de obras do acervo da Mostra CineTrabalho, levando ao público retratos, cenas, histórias e lutas de trabalhadoras e trabalhadores.

Quarta-feira, 29 de Outubro | 13h50   Duração: 5 minutos

TANTAKUY. TRAMAS AL SOL
Marcelo Hernández (Argentina, 2008)

ACESSO À JUSTIÇA – NA ZONA CINZENTA DA DIPLOMACIA
Sandra Budesheim e Sabine Zimmer (Alemanha, 2013)

DOMÉSTICO
Gabriela Golder (Argentina, 2007)

PEQUENA CASA GRANDE SENZALA
Rosalvo Neto (Brasil, 2003)

 


3a. Sessão – Imagens do Mundo do Trabalho


Serão apresentados fragmentos de obras do acervo da Mostra CineTrabalho, levando ao público retratos, cenas, histórias e lutas de trabalhadoras e trabalhadores.

Quarta-feira, 29 de Outubro | 19h15   Duração: 5 minutos

CUT PELA BASE
Renato Tapajós (Brasil, 1984)

1a. CONCLAT (CONFERÊNCIA NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA)
Adrian Cooper (Brasil, 1982)

SANTO E JESUS, METALÚRGICOS
Claudio Kahns e Antonio Paulo Ferraz (Brasil, 1984)

NAS TERRAS DO BEM-VIRÁ
Alexandre Rampazzo (Brasil, 2007)

“…FOI ATRAVÉS DA NECESSIDADE…” – HISTÓRIA DO MOVIMENTO POR MORADIA DE OSASCO
Ana Lúcia Ferraz (Brasil, 2003)

 


4a. Sessão. Documentários sobre as condições de trabalho hoje


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MAQUILAPOLIS

Vicky Funari, Sergio de la Torre
México | 2006 | Documentário | 60 minutos

Quinta-feira, 30 de Outubro | 09h00

Carmen trabalha no turno da noite em uma “maquiladora” de Tijuana. As “maquiladoras” são fábricas de corporações transnacionais que se instalaram no México por causa da mão de obra barata ali disponível. Depois de fazer componentes de televisão a noite toda, Carmen volta para casa, um barraco que ela mesmo construiu usando portas de garagem recicladas, localizado em um bairro sem rede de esgoto e eletricidade. Ela sofre de problemas de saúde por ter sido exposta ao chumbo e outras substâncias tóxicas durante vários anos de trabalho nas “maquiladoras”. Ela ganha seis dólares por dia. Mas Carmen não é uma vítima. Ela é uma mulher dinâmica, em movimento para melhorar a sua vida e a de seus filhos.
Enquanto Carmen e um milhão de outros trabalhadores das “maquiladoras” produzem televisores, cabos elétricos, brinquedos, roupas, pilhas e artigos médicos, eles tecem a verdadeira trama da vida para as nações consumidoras. Esses trabalhadores ainda enfrentam quotidianamente violações trabalhistas, devastação ambiental e caos urbano – a vida na fronteira da economia global. Em Maquilapolis, Carmen e Lourdes vão além da luta diária pela própria sobrevivência e organizam suas comunidades para fazerem mudanças positivas em suas vidas: Carmen inicia uma ação judicial contra a empresa por violação dos seus direitos trabalhistas. Lourdes faz pressão sobre o governo para que seja limpo um local contaminado, uma fábrica abandonada cheia de lixo tóxico.
Mas enquanto elas trabalham por mudanças, o mundo muda também: com a crise econômica global e a disponibilidade de mão de obra mais barata na China, os postos de trabalho e as fábricas começam a desaparecer em Tijuana, deixando Carmen, Lourdes e suas colegas com um futuro incerto.


Mesa “DOCUMENTÁRIOS: AS CONDIÇÕES DE TRABALHO HOJE”

Quinta-feira, 30 de Outubro | 10h00

Palestrante:

Vicky Funari
Diretora dos documentários Maquilapolis e Live Nude Girls Unite!

Debatedores:

Babak Amini
York University, Toronto, Canadá

Giovanni Alves
UNESP – Projeto de Extensão Universitária Tela Crítica / Mostra CineTrabalho

Elson Menegazzo
Mostra CineTrabalho

Coordenadora:

Mariana Roncato
Grupo de Estudos sobre o Mundo do Trabalho e suas Metamorfoses – IFCH/UNICAMP

 

 


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NUVENS DE VENENO

Beto Novaes
Brasil | 2013 | Documentário | 23 minutos

Quinta-feira, 30 de Outubro | 11h00

A nuvem se espraia pelas plantações. Em vez de molhar, seca. Ela não traz a chuva, traz o veneno. O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, algodão, milho e também um dos maiores consumidores de fertilizantes químicos e agrotóxicos. Nuvens de veneno expõe as preocupações com as consequências do uso desses agroquímicos no ambiente, especialmente, na saúde do trabalhador. Um documentário revelador que faz refletir sobre a forma que crescemos e sobre o tipo de desenvolvimento que queremos.


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BOM DIA, MEU NOME É SHEILA OU COMO TRABALHAR EM TELEMARKETING E GANHAR UM VALE-COXINHA

Angelo Defanti
Brasil | 2009 | Documentário/Ficção | 17 minutos

Quinta-feira, 30 de Outubro | 11h25

Fagner vendia planos de saúde pelo telefone usando a lista de assinantes do Rio de Janeiro. Valéria trabalha há 19 anos numa das maiores centrais de teleatendimento do país.


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JOVENS PROFESSORES PRECÁRIOS

Selma Venco, Victor Moriyama
Brasil | 2014 | Documentário | 24 minutos

Quinta-feira, 30 de Outubro | 11h45

O vídeo é resultado de uma pesquisa qualitativa realizada junto a professores da rede estadual paulista e visa retratar a precariedade nas relações de trabalho presente na política educacional e as condições de trabalho à luz de depoimentos de jovens professores da educação básica.


Sessão Especial – Vicky Funari


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LIVE NUDE GIRLS UNITE!

Vicky Funari, Julia Query
Estados Unidos | 2000 | Documentário | 75 minutos

Quinta-feira, 30 de Outubro | 12h10

Este documentário em primeira pessoa acompanha Julia Query: lésbica, comediante stand-up, stripper, e filha de uma ativista feminista, em sua barulhenta jornada para ajudar a organizar o único sindicato de strippers nos Estados Unidos. Capitado em diversos formatos, Live Nude Girls Unite! tece os bastidores dos palcos e as cenas de danças com a organização do trabalho, os protestos de rua, a comédia stand-up e a animação ao estilo história em quadrinhos para fazer um filme de vanguarda, inteligente e dramático.


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